Palavra da Presidente

Eloisa Helena Orlandi

Março é o mês das Mulheres. É o mês das promoções de moda, perfumes, cosméticos, bem-estar, casa e decoração, que “bombam” nas mídias sociais.

Não é o mês de promoção de carros, lanchas, artigos para pesca e caça.
Sorrio quando vejo esse contraste, como se nós, mulheres, estivéssemos restritas apenas às convenções culturais.

Como criacionista que eu sou, sempre me chamou a atenção a expressão hebraica traduzida como submissão, auxiliadora, ajudadora, muito explorada, ainda do lado de cá do nosso planeta, como uma herança das culturas primitivas.

Na medida em que o tempo foi passando e as transformações industriais e culturais avançaram, começou a se questionar esse conceito de inferioridade da mulher em relação ao homem, surgindo, no final da década de 60 e início da década de 70, o movimento feminista com a proposta de revolucionar os ditames do gênero até então impostos.

O fato é que, num descompasso em busca de um equilíbrio, ocorreu em muitos países um extremismo exagerado que distanciou a mulher da feminilidade.

A mulher feminina é sutil, delicada, inteligente, exerce a sua influência de forma perspicaz impondo o respeito e admiração do universo masculino. O que não ocorre com o feminismo, em que muito se prega em termos de igualdade, e acaba por deixar de lado as diferenças básicas que complementam o universo humano.

Sob o aspecto econômico, infelizmente ainda constatamos diferenças brutais entre a mulher e o homem.

Considerando o cenário nacional, a participação da mulher na economia, cresceu em 2% entre 2010 e 2020, um crescimento de 43,6%. Na indústria, houve uma queda de 16,2% a partir de 2014, mantendo-se estável entre 2018 e 2020. Mas quando comparamos a média salarial dos homens com a das mulheres, percebemos que as mulheres têm uma média inferior que chega a -12,4% em termos macroeconômicos e -27,5% na indústria.

No Paraná, apesar das mulheres representarem 51% da população, elas somam 44,7% dos trabalhadores da economia formal do Estado e 31,3% dos empregos da indústria em 2020, onde a diferença entre os salários médios de mulheres em relação aos dos homens na indústria foi de -29,8%.

Em 2021, as mulheres representaram 47% das contratações na indústria, sendo quase 30% no setor alimentício.

Como primeira mulher a presidir um sindicato de expressão, como o Sincabima, em seus 84 anos de fundação, além da honra que esse feito representa, quero deixar um legado para todas as mulheres fortes, determinadas, e que não deixam de lado a responsabilidade e o seu senso de missão e desprendimento, de trabalho bem feito e de dever cumprido.

Boa leitura.

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